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  • Foto do escritorBeatriz Chiara

A vida secreta da documentarista que rejuvenesce almas em meio à Mata Atlântica


Fotografia de Amanda Palma


Amanda Palma juntamente à duas mulheres atravessam a cidade em busca do local para rejuvenescer almas, em rumo à Mata Atlântica. A jovem documentarista vai equipada para a nova experiência, carregando consigo mesma seus equipamentos de gravação enquanto vai de coração aberto para uma nova vivência em meio à mata. O percurso leva ao paraíso que resguarda uma vida misteriosa, possuindo diversas espécies de fauna e flora. Entre os animais silvestres e insetos, como: libélulas, pássaros que dançam em meio às flores conhecidos por tangará-dançarinos, tucanos, caxinguelês, tatus e muito 

mais.


 O longo paraíso é localizado em Vargem Grande, no Parque Estadual 

da Pedra Branca, do povo quilombola Cafundá Astrogilda. É situado à beira de cadeias montanhosas, é conhecido por ser um local de conservação brasileira possuindo trilhas, escaladas, cachoeiras e lagos.


O ar estava refrescante e revitalizante durante o percurso das mulheres, e Amanda caminhava contemplando cada detalhe na natureza enquanto as outras mulheres caminhavam delicadamente como uma reverência a esse ambiente animalesco que faz parte da vivência de cada uma delas e que, mesmo assim, fazem questão de chamar a atenção para a necessidade de ser valorizado. Enquanto faziam o percurso contemplavam a singularidade da mata, enchiam os pulmões de um ar puro, como se estivessem regenerando as células, pouco a pouco. O significado de tudo isso é uma nova vida a essas mulheres, uma oportunidade de renovação da alma. E foi bem nesse local que o ensaio fotográfico foi feito.


O trabalho de Amanda é um entrelaço com a vida. Ela nos leva a entender um pouco da história de diferentes mulheres contadas a partir de situações diversas. No caso de Kennya e Anny o cenário escolhido faz parte de um recorte dessa história que se transformou num refúgio." O que me motivou escolher esse lugar é a possibilidade de fazer pessoas conhecerem o que tem de mais lindo no Rio de Janeiro, uma cidade com floresta dentro. É muito importante se conectar com a natureza, ir até lá e o que me conecta é a simplicidade", diz Amanda.  


Essa jovem de espírito selvagem e de intensa vontade de viver, de buscar novos desafios começou um projeto inusitado. Ela usa a fotografia como uma imersão para entender o outro, e assim, leva consigo um pedaço de cada pessoa que conhece, o que permite ser um novo ser humano a cada nova experiência. Seu jeito de ser no mundo atrai outras mulheres que buscam por sentir novas sensações e autoconhecimento, o que torna as vivências únicas capazes de influenciarem na mudança do estado de espírito estressante, criado pelos meios urbanos.


" Particularmente nesse projeto eu nem tenho foco no feminino, mas naturalmente é o que acaba acontecendo. Hoje em dia eu estou vivendo uma realidade em que eu convivo com muitas mulheres, sinto que as mulheres estão em um momento de desconstrução suave e eu acho que a arte e fotografia atrai isso" diz Amanda Palma.


Cada mulher possui uma história a ser contada, que pode ser contada sob uma ótica subjetiva, assim a jovem documentarista proporciona com muita delicadeza um jeito único de registro pelas lentes fotográficas. Antes de iniciar o processo de contar histórias a partir das fotos, o grupo de Amanda se reúne na casa da Tati, uma senhora que habita uma casinha simples e aconchegante de frente para um riacho no local da vivência. Durante os minutos de caminhada das jovens até o local escutam sons do vento, cascalho sendo pisoteados enquanto conversam entre si até o momento de chegada na casa da senhora Tati.


Ao chegarem na casa batem à porta e após alguns minutos a senhora abre com um sorriso ao rosto, dando à elas boas-vindas à sua casa. " A Tati é uma senhora, um mulherão. Ela faz uma comida maravilhosa e é coisa de outro mundo. Para quem come carne ela faz frango com quiabo, ensopados, farofas. Depois disso subimos e fizemos a trilha, mais uma vez nos conectamos com a simplicidade". Nesse momento de conexão com a comida local, alimento plantado pela própria moradora do Cafundá Astrogilda, o afeto se constrói a partir da degustação, onde laços se fortalecem, onde há trocas de cumplicidade entre as mulheres. Além da senhora Tati do Quilombo, as mulheres são recebidas por uma outra senhora chamada Dona Nilza, carinhosa e prestativa. A senhora as recebe de braços abertos e prepara comida junto à senhora Nilza, ao final conta para as jovens a história de sua roupa de quando ainda bebê que foi costurada pela sua avó parteira quando ela nasceu, trazendo um momento de emoção para o grupo de Amanda.


Amanda Palma e seu grupo de mulheres retornam à caminhada na trilha, conversando sobre o momento de troca com a senhora Tati e também começando a instigar as duas jovens mulheres sobre a próxima experiência, a partir da fotografia em meio à mata. Caminham contemplando cada canto da natureza, observando em alguns momentos o vasto céu azul, onde as frondosas árvores permitem, é claro! Enquanto seguem pelo caminho podem sentir o toque das plantas, em certos momentos é possível ouvir o som do silêncio, o cantar dos pássaros, o movimento dos animais que curiosos as observam do alto.


Para Amanda estar em meio à natureza é uma proposta de relação do mundo humano com o mundo naturalístico, onde ambos se interligam. " É preciso lembrar que ir na natureza é também pensar que existe uma vida ali, existe um ecossistema e que nós não podemos deixar lixo ou acender uma fogueira, precisamos tratar bem o lugar e as pessoas que moram ali, com isso ganhamos um detox, a natureza e a cachoeira te desintoxica de várias formas, é purificadora" diz Amanda.


As mulheres na vivência com a documentarista estão em busca de uma jornada de autoconhecimento, poder sentir uma experiência em que utilizam seus corpos como ferramenta de amor consigo mesmas." Hoje de manhã estava pensando e tomando meu café, a fotografia tem uma relação de espelho. Você está sendo fotografada e você está tendo uma relação com a sua imagem, consigo mesma. Então tem algo ali de empoderador nas mulheres com a fotografia, porque quando elas são fotografadas e se sentem bem, acabam se sentindo amadas e isso afeta na autoestima". Amanda acredita fielmente que a fotografia é capaz de desencadear os mais diversos sentimentos sobre nossos corpos, no qual acredita ser nossa morada.


Amanda parou a caminhada e se virou para as duas mulheres, esboçando um sorriso no rosto e dizendo " Estamos quase lá, conseguem ouvir o barulho da cachoeira? Esse barulho é tudo pra mim, conseguem ouvir?’’. Ambas mulheres se entreolham e cochicham andando atrás de Amanda  o quanto estão ansiosas para chegar e poderem ser fotografadas. Chegando no local vão se aprontando para a vivência, retirando os calçados dos pés e sentindo a terra fresca e de tons marrons escuro. Escolhem ficar na sombra para deixar suas bolsas no local, enquanto isso Amanda prepara seus equipamentos para as sessões de foto em meio à floresta.


A água da cachoeira estava tão fria quanto uma geada em uma manhã de inverno, onde é possível notar gotículas de água envolvendo as plantas e escorrendo com o surgimento do Sol. As mulheres colocam seus pés na água para sentirem a temperatura e sorriem. Em uma delas o corpo reage ao frio e começa a aparecer aos poucos o arrepiar dos pelos no corpo, o que as fazem dar gargalhadas, vivendo o momento. Enquanto isso Amanda testa seus equipamentos rindo da situação, pensando " eu amo meu trabalho".



Fica explícito no trabalho de Amanda Palma que cada mulher tem a liberdade de poder ser quem ela é, poder sair de suas amarras da cidade grande e sentir-se livre para brincar com a vivência da fotografia. Amanda acredita que o seu trabalho também envolve uma certa direção das mulheres, no entanto a jovem preza pela liberdade em sentir o momento, sentir o que o corpo gostaria de fazer, ela dá às mulheres a liberdade de poder ser selvagem à sua maneira, livres como pássaros que voam junto ao as correntes de ar seguindo apenas seus corações. " Ser independente de fato é poder fazer o que te faz bem, aquilo que você faz sem ser embarreirada pela sociedade que diz o que você deve fazer."


Nesse instante, uma das mulheres resolve adentrar mais na água da cachoeira, enquanto amarra seus cabelos e sente o Sol brilhando e aquecendo sua pele. Respirando e inspirando o novo ar, sentindo a ocasião como um ritual de encontro consigo mesma, balançando as mãos dentro da água para todas as direções enquanto deslizam-se pedras pequenas em seus pés. 


Ao chamar Anny para o registro, Amanda percebe a jovem imersa em seus pensamentos e aproveita a situação para começar o ensaio fotográfico, à beira da cachoeira. " Eu acredito que o nosso corpo é nossa morada, nada existe sem ele. Negar o nosso corpo é algo muito louco, porém já vivi esse lugar. Não é possível negar uma existência que é nossa, o nosso corpo. Então hoje em dia eu sinto uma grande atração do corpo como nosso instrumento de arte".




  Fotografia de Amanda Palma de Anny


Amanda participa também ativamente com o seu corpo na vivência, ao encostar nas pedras como apoio para fotografia, o movimento é livre para todas. " A fotografia também é levar nossos corpos para estados de presença, é pensar como estamos presente em cada momento, vivemos com nossos corpos porém é uma forma de viver extremamente desconectada" diz Amanda.


A documentarista acredita que estar presente é essencial para a nossa humanidade e que perdemos essa virtude em muitos níveis pelo modo de vida que levamos. Muitas vezes esvaziado da presença com os nossos corpos, assim o trabalho da jovem é a retomada de algo que todos necessitamos, a conexão com nós mesmos e um olhar voltado para nossa autoimagem de amor.


Durante o ritual com a primeira moça fotografada Amanda tentou captar cada movimento expresso pela jovem, momentos em que seu semblante estava descontraído e seu corpo menos enrijecido pela água. Elas riam da situação e curtiam o momento com seus corpos, em um trabalho mútuo. Amanda se divertia subindo nas rochas e sentindo o calor sendo transferido para a palma dos pés, e dizia " que tal aqui desse ângulo Kennya?" enquanto acena com a cabeça em resposta " perfeito".


Kennya se empurrou contra a água e mergulhou com muita intensidade, Amanda mal teve tempo de piscar com o acontecimento. Quando percebeu, se ajeitou na rocha para captar o momento da foto. Se surpreendeu com Kennya e suas poses criativas, cada nova pose era um experimento novo para ambas. Após o ensaio fotográfico de Kennya, a próxima mulher seria Anny. Enquanto Kennya continuava perto de Amanda observando Anny ser fotografada, Anny escolhia o local para tirar suas fotos. Dizia " Gosto daquele cantinho ali Amanda, quero começar por lá" e Amanda acenava com a cabeça e a acompanhava. Com o passar das horas o Sol esquentava e abraçava a floresta com seus raios solares, esquentando os corpos das mulheres e evaporando a água.




Fotografia por Amanda Palma de Kennya


Agarrava as plantas e ria.


" Sim, por que não? Continua", dizia Amanda. " Seja livre para fazer o que tiver vontade!"


Anny dançava entre as plantas para relaxar o corpo, sorrindo. Sentava entre as plantas como se fosse uma semente emergindo da terra, como se estivesse prestes a brotar uma flor magnífica. Agarrou a terra na mão e sentiu a umidade proporcionada pelo local, refrescando seu corpo. Olhava para o imenso céu azul e fechava os olhos, enquanto Amanda fotografava.


" Nossa Anny, essa foto está ficando incrível!"


Ela era linda, totalmente destemida. Assim como Kennya com seu ar ousado de viver. 

Na verdade, pode-se dizer que as duas fotografadas por Amanda utilizavam seus corpos como ferramentas de arte, livres e destemidas, aproveitavam o momento para serem fotografadas na água e fora dela.


Para a documentarista, o processo da fotografia está inteiramente ligado com a relação estabelecida entre a pessoa e o processo. " Você tem um objetivo dentro de si, você quer soltar uma artista dentro de você? Ou você quer uma coisa profissional? Ou quem sabe você queira mostrar quem é que manda? Nesse caso que fotografei as meninas na natureza acredito que tinha que ser algo mais solto, a estética se reflete na simplicidade, é a fotografia da gente se divertindo e que as mulheres se sintam à vontade".


Entrevista realizada com Anny e Kennya sobre a percepção da vivência Mata Atlântica:



O que te inspirou a participar deste projeto com a Amanda Palma?



Anny: O que me inspirou é o meu envolvimento com o meio ambiente, sou atriz e professora de teatro. Trabalho como ativista e com o meio ambiente e agroecologia a muitos anos. Isso me ajuda em diversos aspectos sociais e políticos também, então o que me inspirou a participar é que a proposta dela além de ser relevante para mim como atriz é trabalhar isso de uma forma delicada, é deixar a atriz confortável no ambiente em meio à natureza. Tudo isso durante um dia, durante esse dia temos alimentação com produtos naturais, presentes da Amanda naturais que ela sempre traz e ter essa leveza para fotografar, porque às vezes no estúdio ou com outros diretores a gente fica com uma pressão muito grande, então eu estou em processo artístico que estou querendo achar o melhor de mim e com a Amanda foi perfeito, descobri o melhor de mim e as melhores poses, diferente de um estúdio que eu me sentiria naturalmente mais engessada.




Kennya: Foi uma surpresa porque eu participei através de um sorteio no Instagram. Sempre me interessei em cachoeiras, vivências na natureza. 



Foi seu primeiro ensaio artístico na natureza?



Kennya: Já fiz ensaios artísticos amadores, em praias e cachoeiras. Aqui no Rio de Janeiro tem muito lugar que precisa ser explorado, faz a gente sair um pouco desse caos urbano.



Anny: Já fiz outros só que foram feitos por amigos e em um lugar em que eu me sentia segura. No meu processo artístico eu preciso muito me sentir segura para conseguir algo na fotografia.



Quais foram os momentos que ficaram marcados para você dessa experiência?


Anny: Os momentos mais marcantes foram quando a gente chegou na metade da vivência, e eu pude colocar minhas habilidades de mergulhar, pular para fora. Eu pulei da pedra, me senti muito à vontade para poder existir e nesse momento me senti à vontade, trouxe minhas habilidades mais físicas, porque o meu perfil é mais de ação. No final, quando fizemos o almoço junto das pessoas, fizemos uma troca muito legal com a dona do restaurante que é quilombola e que mora lá, ela trouxe uma história do local e da vida dela enquanto comíamos um alimento preparado por ela!


Kennya: No momento que fui sorteada, eu estava indo para Vargem Branca para um encontro indígena e coincidiu de eu ser sorteada. Achei muito especial, nesse momento estou buscando retomar minhas raízes ancestrais, quero voltar para minha origem. Nós humanos viemos da natureza pura apesar de agora estarmos transformados pela urbanização. Um outro momento que ficou marcado, foi o momento de meditação antes da vivência, para a gente se naturalizar com o ambiente e ter um olhar de amor com nós mesmas.



Essa vivência representa o que para você?


Kennya: Representa a ancestralidade, nós precisamos estar na busca para sentir a vivência profundamente, porque ali é um ambiente sagrado. Quando estava lá me senti em casa, vi meus entes queridos na fala dos moradores locais, costumes.



Anny: Representa uma conexão da minha vocação que é atuar e representar e também do meu objetivo de vida que é o cuidado com o meio ambiente e comunidade, isso para mim é uma frente política, o que é muito importante. Além de que o valor que fazemos na vivência é revertido para a comunidade Cafundá Astrogilda, é gratificante.



Como foi chegar no local e se preparar para esse momento junto das meninas? Como se sentiu?


Anny: Desde o início foi muito tranquilo, eu sou tímida. É difícil uma atriz ser tímida mas existe, eu tenho essa dificuldade de me soltar. Mas lá a Amanda me deixou muito à vontade, fui me ambientalizando enquanto a Amanda fotografava a Kennya. Fui me ambientalizando com a temperatura da água e com o local. Depois que a Kennya foi fotografada me senti mais à vontade, tirei minha blusa e fui de biquíni para a pedra e ela tirou fotos minha enquanto a Kennya mudava de acessórios.



Kennya: Me senti feliz, especial e bonita. Nós enquanto mulheres ainda temos essa visão imposta pelos padrões e isso nos engessa, agora está tendo um movimento das mulheres estarem enxergando o natural, porque na natureza nós não temos o que esconder, é lidar com o natural.



Você acredita ter saído diferente após essa experiência do ensaio? Como você descreveria essa sensação?


Anny: Sim, com certeza, como eu disse na cidade, a gente fica em uma correria do dia a dia. E ficar um dia inteiro fazendo o que eu amo, que é fotografar, a troca com o meio ambiente, eu saí de lá nutrida, não só energeticamente pelo ambiente eu saí nutrida fisicamente também, é como se eu tivesse saído da vivência em êxtase, eu saí de lá realizada.


Kennya: Sai modificada em todos os sentidos, primeiro que eu já estava nessa busca e fiquei muito feliz em ter pessoas que enxergam esse lado, não só como mulher mas como ser humano de fazer uma busca de se desintoxicar do meio urbano e agir de forma sustentável, respeitando sempre o próximo e a natureza e eu senti isso com as meninas.  


Houve alguma dificuldade durante o ensaio?



Anny: A água gelada da cachoeira, eu sinto muito frio mas até nisso a Amanda teve um cuidado comigo mas ela teve a inteligência de me pedir para ficar no calor do Sol para depois mergulhar.



Kennya: Não, a única coisa seria qual roupa usaria mas com o ambiente em si não tive dificuldade, com as meninas foi tranquilo!



Você acredita que o ensaio fotográfico te proporcionou um novo olhar consigo mesma e na sua relação com seu corpo?


Anny: Sim, proporcionou, porque a proposta é ser natural e sentir à vontade. Enquanto eu estava lá senti que isso me fortaleceu como mulher, como modelo. Eu percebi que posso exercer minha vocação de uma forma tranquila e isso me transformou. Às vezes temos uma pressão de estar perfeita e isso me distanciou de muitas coisas, mas a proposta da Amanda me aproximou mais de mim mesma, de que eu posso sim ser natural e ser incrível.



Kennya: Sim, quando a Amanda me dizia que estava linda me senti especial, me senti renovada. Agora eu me enxergo mais como um corpo real e verdadeiro, sem qualquer tipo de padrão imposto, isso tudo me deixou muito feliz.


Escritora: Beatriz Chiara

País: Brasil

Rede social: @absurdolirio / @psi.chiara

Fotografia: Amanda Palma





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